A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) manifesta seu repúdio à campanha de ódio e violência no campo propagada pela Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República em seu intento de tumultuar a celebração deste 28 de julho, Dia do Agricultor e da Agricultora no Brasil.

Ao utilizar a imagem de um caçador portando uma espingarda em savana africana, adquirida em um banco de imagens pagas, o Governo Federal demonstra mais uma vez seu desconhecimento da realidade da agricultura familiar no Brasil, marcada pela solidariedade, generosidade e dedicação para prover alimentos de verdade para as famílias brasileiras.

Com sua campanha de ódio e confronto armado, em vez de enaltecer e fomentar o trabalho de agricultores e agricultoras, o Governo Federal reforça a política genocida responsável pela morte de mais de 550 mil brasileiros e brasileiras que pereceram pela Covid-19, por inação e sabotagem das autoridades aos esquemas de prevenção e combate à pandemia. A mesma postura negacionista promove o desmonte das políticas públicas de apoio à produção e oferta de alimentos à população vulnerável que sofre os efeitos da pandemia sobre a Economia, padecendo da fome e miséria que o Governo Federal é incapaz de enfrentar.

A agricultura familiar e camponesa do Brasil merece respeito e apoio, merece ser valorizada e enaltecida por seu papel histórico no desenvolvimento do país e na segurança e soberania alimentar que já demonstrou ser possível alcançar sob a gestão de profissionais sérios e comprometidos com a paz no campo e a produção de alimentos de qualidade.

Ao lado das organizações representantes de agricultores e agricultoras, rechaçamos o simbolismo armamentista promovido pelo Governo Federal nas áreas rurais do país e conclamamos a sociedade civil brasileira a se posicionar em favor da agricultura familiar e camponesa e da agroecologia, apoiando nossas campanhas por auxílio emergencial, ampliação do Programa de Aquisição de ALimentos (PAA) e fortalecimento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A segurança no campo não depende de armas, mas sim de políticas públicas de desenvolvimento rural, reforma agrária e tecnologia apropriada, geração de trabalho e renda, tanto no campo quanto nos centros urbanos que sofrem com o desemprego e a escorchante inflação dos alimentos.

Paz no campo e comida no prato!

Brasília (DF), 28 de Julho de 2021

Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)

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