
A campanha Agroecologia nas Eleições chega à quarta edição, e teve seu pré-lançamento no dia 22 de maio, no Sinefi, em Foz do Iguaçu (PR), durante a Plenária Nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), realizada com apoio da Unila e Unioeste.
Entre os dias 18 e 22 de maio, municípios da região Oeste do Paraná receberam representantes do movimento agroecológico de todo o país, que participaram da Plenária e de caravanas agroecológicas por rotas estratégicas, visitando territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e cooperativas, em uma estratégia de mobilização preparação do território para o 5° Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que acontecerá em Foz do Iguaçu em 2027, com apoio da Unila e Unioeste.
Estiveram presentes no evento integrantes do governo federal – Joselicio Freitas dos Santos Júnior, Secretário adjunto da Secretaria de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria Geral da Presidência da República (SG-PR); Lilian Rahal, secretária nacional de segurança alimentar e nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Ana Terra, Secretária de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar (SEAB) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Silvio Porto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Estarão presentes também Betta Recine, presidenta do Consea, Patricia Tavares, secretária-executiva da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), Francisco de Oliveira Mariano, da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação Banco do Brasil (FBB), Ronaldo Pavlak, Gerente da Divisão de Ação Ambiental da Itaipu, Andreia Moassab, Pró-reitora de Extensão da Unila, e o Professor Fernando Martins, da Unioeste.
Na ocasião, também foi apresentado o projeto Mapear, acompanhado pela solenidade de assinatura de novos contratos do programa Ecoforte com redes territoriais de agroecologia da região Sul e do Mato Grosso do Sul. O programa Ecoforte é o principal instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, e, nesta edição, terá o valor recorde de R$100 milhões, recursos provenientes da FBB e do BNDES.
Agroecologia nas Eleições 2026 propõe colocar a agenda agroecológica no centro do debate eleitoral, a partir de pautas concretas construídas pelo movimento para orientar o compromisso das candidaturas e seguir no diálogo com a sociedade sobre a importância da agroecologia para a construção de uma sociedade mais justa e um sistema agroalimentar mais saudável e inclusivo. Sob coordenação da ANA, a iniciativa levará ao eleitorado informações claras sobre o papel da agroecologia no enfrentamento de desafios do nosso tempo, como as crises alimentar, ambiental, climática e econômica. Ao mesmo tempo, vai oferecer instrumentos para que eleitoras e eleitores possam avaliar e escolher candidaturas alinhadas à agroecologia e à defesa dos princípios democráticos.
Esta é a quarta edição de uma mobilização nacional que ocorre em várias fases, A plataforma de propostas da campanha é um documento elaborado por organizações, coletivos e movimentos sociais da agroecologia – agricultura familiar e urbana, camponesas/es, extrativistas, indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais, das águas e das florestas – e seu papel é subsidiar a ação dos Poderes Executivo e Legislativo, além de promover o debate público ao longo do processo eleitoral.
“Neste ano, nosso objetivo é trazer novamente para o centro do debate eleitoral, no diálogo com a sociedade e também com candidatas e candidatos, a urgência e a necessidade de afirmar a agroecologia como estratégia política de transformação social, que fortaleça a produção de alimentos saudáveis para toda a população, o que só será possível com democracia” , explica Sarah Luiza Moreira, integrante da equipe nacional da iniciativa.
Agroecologia nas Eleições 2026 aborda a agroecologia como uma resposta concreta às mudanças climáticas, como meio para a garantia de segurança e soberania alimentar e nutricional e para a construção de relações mais justas e mais igualitárias entre homens e mulheres, enfrentando situações de machismo, racismo e LGBTfobia. As propostas envolvem, por exemplo, acesso à terra, reforma agrária, garantia do acesso à água de qualidade para beber e produzir, estratégias de proteção e conservação ambiental, promoção da justiça climática, valorização das atividades de cuidados e reprodução da vida, entre outros.
“A gente quer dialogar com a sociedade e com as candidaturas sobre a importância da construção de políticas públicas, mas também legislações que apoiem, fortaleçam a perspectiva agroecológica e promovam a transformação dos sistemas agroalimentares, a partir dessa perspectiva”, acrescenta Sarah Moreira.
Desde 2023, houve uma retomada de importantes políticas que potencializam a agroecologia, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa de Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que haviam sido cortados no governo Bolsonaro, e uma série de novos avanços, como o lançamento do III Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) e do Programa de Redução de Agrotóxicos (Pronara). No entanto, segundo Paulo Petersen, integrante do núcleo executivo da ANA e enviado especial da agricultura familiar à COP 30, essas iniciativas ainda dispõem de orçamentos ínfimos diante do incentivo ao agronegócio, colocando um grande desafio para o próximo governo.
Por isso, nestas eleições, a iniciativa Agroecologia nas Eleições pretende concentrar seus esforços na conscientização sobre a necessidade de medidas para a transformação dos sistemas agroalimentares, tendo a prática agroecológica como enfoque. “Não estamos falando de uma política de nicho, e é por isso que uma das demandas da agenda é articular os Planos de Agroecologia, de Abastecimento e de Segurança Alimentar e Nutricional”, afirma Petersen. “Ao falar de sistemas agroalimentares, estamos falando do rural e do urbano, e precisamos de um compromisso efetivo das candidaturas progressistas de que esses temas entrarão na agenda eleitoral”, conclui.
