Começou nesta quarta-feira, dia 26 de março, no Rio de Janeiro, a Plenária Nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Ao longo de três dias, cerca de 100 representantes de redes, movimentos e organizações agroecológicas de todo o Brasil se reúnem para planejar as ações da ANA para os próximos dois anos e, em especial, para construir o V Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que acontecerá em 2026.

A abertura da programação contou com lembranças de grandes momentos políticos e memórias coletivas. Uma lembrança fundamental dessa trajetória, ressaltada pela liderança agroecológica Maria Emília Pacheco, é o crescimento da pauta da agroecologia, desde o primeiro ENA, em 2002. 

A luta contra agrotóxicos e transgênicos evoluiu também para a luta dos povos indígenas e comunidades tradicionais, das mulheres, das juventudes, e pela defesa da biodiversidade, da justiça climática e da comida de verdade. “Entre o segundo e o terceiro ENA nós vimos a importância de articular a perspectiva política de promoção da agroecologia com saúde, justiça ambiental, soberania alimentar, economia solidária e feminismo, que vão reconstruindo a própria concepção de agroecologia”, recordou Maria Emília Pacheco.

Plenária da ANA reúne representantes de redes, movimentos e organizações agroecológicas de todo o Brasil. Foto: Paula Vianna
Plenária da ANA reúne representantes de redes, movimentos e organizações agroecológicas de todo o Brasil. Foto: Paula Vianna

Segundo Pacheco, “de todos os temas, o tema direito à terra e território se expandiu com o debate da água e da agricultura urbana, no III ENA, assim como o tema das mudanças climáticas, que também foi incluído na pauta do encontro Diálogos e Convergências, e seguiu na quarta edição.”

Não à toa, o debate das mudanças climáticas está presente em toda a programação da Plenária. Na abertura, os Grupos de Trabalho (GT) da ANA (Coletiva de Comunicação e Cultura, Coletivo Nacional de Agricultura Urbana, Juventudes, Povos Indígenas, Construção de Conhecimento, Mulheres e Justiça Climática) apresentaram análises dos impactos das mudanças climáticas em suas áreas, assim como os desafios que encontram nos territórios e estratégias para lidar com as adversidades.

Além da percepção de que, de maneira geral, as violências contra os grupos sociais que praticam agroecologia têm aumentado e se diferenciado, como identificou o GT Mulheres, há outro tema apontado pela maioria dos grupos: as falsas soluções apresentadas pelo capitalismo.

Desde a criação das COPs, na Eco 92, as falsas soluções avançaram com força nos territórios. Para Letícia Tura, integrante da ONG Fase e do GT Justiça Climática da ANA, esse é o principal resultado das COPs até agora. “Com diferentes práticas, como mercados de carbono, títulos verdes da dívida, abordagens diversas de compensação e novas tecnologias, houve o fortalecimento do setor empresarial, que se transformou em sujeito das soluções, seguindo a lógica de mudar para que nada mude”, explica.

Na COP30 que se aproxima, após 10 anos do Acordo de Paris e vigência do Protocolo do Kyoto, os desafios dos países integrantes será renovar suas metas, com compromissos mais ambiciosos.

Já para o campo agroecológico, que estará presente no evento, principalmente na Cúpula dos Povos, “os principais desafios serão enfrentar e construir resistência às falsas soluções. “As negociações climáticas têm que reconhecer o papel da agroecologia”, afirma Fábio Pacheco, integrante da Associação Agroecológica Tijupá e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).