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Associações Científicas de Agroecologia da América Latina firmam acordo de cooperação

Durante o primeiro Congresso Argentino de Agroecologia, países do Cone Sul traçam estratégias de ação conjunta

Fruto de um longo processo de construção coletiva, representantes de quatro países da América Latina assinaram, no dia 20 de setembro de 2019, termo de cooperação entre Associações Científicas de Agroecologia. Referendarem o convênio a Sociedade Argentina de Agroecologia (SAAE) por Santiago Sarandón, Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), por Romier Sousa, e os pontos focais da Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia (SOCLA) no Chile, por Agustín Infante e Uruguay, por Ines Gazzano.

O encontro se deu durante o I Congresso Argentino de Agroecologia, realizado de 18 a 20 de setembro na Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade de Cuyo, em Mendonza. O congresso foi uma das primeiras atividades animadas pela Sociedade Argentina de Agroecologia e trouxe o lema “Outra Agricultura é Possível: Cultivando Interações para o Amanhã”. Os acordos de cooperação são um mecanismo que potencializa os esforços individuais, integra as diversas ações nos territórios e conecta iniciativas, formando redes e possibilitando parcerias.

Em uma ocasião histórica durante um cenário político desafiador vivenciado em toda América Latina, este convênio é muito celebrado e vem fortalecer a articulação do campo acadêmico agroecológico nos países do Cone Sul. Para Romier Sousa, presidente da ABA-Agroecologia, “este é uma oportunidade muito importante para todos nós e estamos conscientes do compromisso coletivo e responsabilidade com o termo de cooperação, tanto entre os quatro países que assinaram neste primeiro momento, quanto com a América Latina”. A ABA-Agroecologia foi a primeira associação científica formalizada no Cone Sul, completando 15 anos em 2019.

Construção do conhecimento agroecológico

O principal objetivo do Acordo de Cooperação é apoiar a expansão e difusão da Agroecologia, compreendida enquanto ciência, movimento e prática. Apoiar a transição dos sistemas agroalimentares para aqueles pautados pelo respeito às práticas tradicionais e cultura dos povos. Refletir sobre a manutenção da soberania e segurança alimentar dos países da América Latina.

Os termos incluem a partilha de “recursos científicos, técnicos e humanos das partes signatárias” para chegar aos destinos traçados coletivamente. Educação formal e não formal, pesquisa e extensão, apoio na divulgação de publicações, intercâmbios de pesquisadoras/es e estudantes são algumas das áreas que cada parte contribuirá.

“Para mim é uma oportunidade histórica, nesses momentos de incerteza, poder mostrar esse gesto de unidade das sociedades ou grupos de Agroecologia do Cone Sul, que trazem uma enorme importância simbólica”, afirma Santiago Sarandón, presidente da Sociedade Argentina de Agroecologia e também da Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia (SOCLA).

A articulação do campo acadêmico e da produção do conhecimento em Agroecologia no tripé ensino – pesquisa – extensão deve estar alinhada e em profundo diálogo com os saberes populares e tradicionais. Esse alinhamento é fundamental quando refletimos sobre as contribuições para o desenvolvimento de sistemas agroalimentares mais resilientes às mudanças climáticas, em redes territoriais de produção e consumo, na preservação da agrobiodiversidade e das sementes crioulas, por exemplo.

Agenda comum

Desenvolver e promover ações conjuntas, enquadradas nos pilares da agenda regional de Agroecologia e da Sociedade Científica Latino-Americana de Agroecologia é um dos caminhos estratégicos adotados na assinatura do Acordo de Cooperação entre as sociedades científicas. Uma agenda comum, que traga as especificidades de cada país mas que também acolha e incentive o mapeamento de pontos comuns.

A rotatividade nos países que recebem os Congressos Latino Americanos de Agroecologia, apoiando o olhar atento ao território que sedia é outro ponto levantado. A proposta é seguir animando encontros nacionais intercalando um encontro coletivo do Cone Sul, em que não se sobreponham e sim contribuam com os processos. O próximo congresso da SOCLA está sendo convocado pelo ponto focal da SOCLA no Uruguay em 2020, coordenado por Ines Gazzano.

No Brasil teremos, de 4 a 7 de novembro deste ano, o XI Congresso Brasileiro de Agroecologia, culminância de um potente período de construção conjunta e solidária. Convocado sob o lema “Ecologia de Saberes: Ciência, Cultura e Arte na Democratização dos Sistemas Agroalimentares”, celebra os 15 anos de criação da ABA-Agroecologia e traz diversas inovações em sua metodologia e organização. Mais informações sobre o XI CBA estão disponíveis no site oficial do congresso, acesse clicando aqui.

A primeira ação firmada pelo Acordo de Cooperação será a presença de Santiago Sarandón, atual Presidente da Sociedade Científica Latino-Americana de Agroecologia (SOCLA) e da Sociedade Argentina de Agroecologia (SAAE) durante o XI CBA, em Sergipe.

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