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Agricultura Urbana: “É um momento importante do ponto de vista do reconhecimento político, social e econômico”

julianaPor Natália Almeida, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida

Durante o III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em maio de 2014, em Juazeiro (BA), foi criado o Coletivo Nacional de Agricultura Urbana. Para falar sobre esse processo de construção do coletivo, conversamos com Juliana Torquato Luiz, da comissão organizadora do I Encontro Nacional de Agricultura Urbana. Juliana é doutoranda e articuladora de Agricultura Urbana em parceria com o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) em Santa Catarina. Na entrevista ela fala sobre temas relacionados à agricultura urbana e as perspectivas do coletivo.

 

O que é o Coletivo de Agricultura Urbana?

O Coletivo Nacional de Agricultura Urbana é uma força que emergiu a partir do III ENA. É a reunião de grupos da sociedade civil, movimentos e redes, que se articulam e estão trabalhando a questão da agricultura urbana há mais tempo. É um coletivo que consagra a interação e intercâmbio de vários movimentos que defendem a agricultura nas cidades e que já têm uma história de articulação. O último ENA coroa esse processo, e emerge o coletivo.

Quais objetivos o coletivo trouxe para este Seminário Nacional da ANA?

Trouxemos algumas expectativa para essa reunião. A primeira delas é a própria incidência dentro da ANA, como o tema e o coletivo da agricultura urbana vai se capilarizando dentro dos próprios debates e reuniões. E questões que a ANA vem pensando, então o primeiro grande ponto é pensar cada vez mais essa incidência e capilarização.

Vocês estão voltando animados da reunião?

Sim. Daí vem outro objetivo que trouxemos, mas é mais uma constatação: o reconhecimento político do tema da agricultura urbana como urgente dentro das preocupações da ANA. Ou seja, também reconhecer as contribuições dos debates da agricultura urbana com a agroecologia e vice versa.

coletivo urbanaNa reflexão da agricultura urbana a cidade não se limita à produção de alimentos, dialoga com outras questões como, por exemplo, o direito à cidade. Como vocês pensam essa interação com as ocupações e o diálogo com esses grupos?

Vou responder isso com um exemplo concreto, que é a própria construção dos planos diretores. A agroecologia como um todo, como um movimento de movimentos, não pode dizer que o debate sobre os planos diretores não é uma questão para a agroecologia. É urgente, uma coluna central, e a agricultura urbana vem para subsidiar, suportar e bancar enquanto agroecologia dentro dessa preocupação. Então os planos diretores são alguns exemplos, porque quando a gente fala de função social da terra é uma questão urgente na agricultura urbana também. Não estamos falando de duas coisas que se encontram em alguns momentos, porque somos a mesma árvore.

A agricultura urbana é reconhecidamente, inclusive do ponto de vista científico, com uma função de frear espaços de uma tipologia de expansão urbana e imobiliária bastante danosa. As questões sistêmicas ecológicas dentro da cidade. Depois ela traz, para além dessa discussão do campo e da cidade, a dimensão sócio espacial da agricultura urbana: pensar a agroecologia a partir dos sujeitos e onde eles estão desenvolvendo as suas práticas. Penso que essa é uma contribuição central da agricultura urbana: encarar a distribuição sócio espacial. Porque quando eu falo em agricultura urbana, é preciso saber onde elas estão ocorrendo. É o espaço rural, é o urbano, o periurbano, e o que isso significa. Então, a agricultura urbana aporta muita força dentro da ANA.

Como está a organização do I Encontro Nacional de Agricultura Urbana?

Seu primeiro grande objetivo é o próprio fortalecimento do coletivo, e uma possibilidade de diálogo com a sociedade. O encontro também passa por essa via, a nossa ambição é caminhar para o fortalecimento do coletivo tendo a ANA como uma super força. A questão da agricultura urbana abraçada pela agroecologia.
O encontro está previsto para entre os dias 23 e 25 de outubro, no Rio de Janeiro. Há possibilidades de mudanças, temos alguns desafios na captação de recursos para realizar nossos sonhos na participação e representatividade do país para ser realmente um encontro nacional.

Como vocês estão enxergando a inserção dos debates da agricultura urbana na revisão do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo)?

Esse processo de revisão atinge simultaneamente objetivos tanto para o fortalecimento do coletivo, como para as contribuições da agricultura urbana para esse plano. Então enxergamos, dada a ausência dos dados de agricultora urbana, não só a questão da inclusão da categoria agricultura urbana,mas como nós integramos e explicamos a agricultura urbana. e então, para nós, é um momento super importante do ponto de vista do reconhecimento político, social e econômico. Porque a gente tem que pensar metas e estratégias do ponto de vista também orçamentário da agricultura urbana dentro do II PLANAPO.

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