agroflorestasPor Josi Basso, da Cooperafloresta

Na contramão das agroflorestas desenvolvidas pela Cooperafloresta com apoio do Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, ‘80% da água utilizada no planeta é consumida pelo agronegócio de grande escala, destinada à irrigação’
A diminuição contínua e acelerada das matas nativas de todos os biomas no Brasil está impactando de forma alarmante os recursos naturais – água, solo, ar, fauna e flora.

É comprovado que este fato está diretamente vinculado à produção agrícola. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura FAO/ONU apontam que em torno de ‘80% da água utilizada no planeta é consumida pelo agronegócio de grande escala, destinada à irrigação’.

Então, é urgente apoiar e desenvolver uma agricultura que recupere e conserve os recursos naturais. Esta é a lógica e a prática dos sistemas agroflorestais (SAFs) realizados pela Cooperafloresta (Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo/SP e Adrianópolis /PR), por meio do Projeto Agroflorestar, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental.

“Para citar um fato exemplar, nas agroflorestas, a umidade relativa do ar é quase de 100%, mesmo em dias mais secos. Já em uma monocultura de soja, por exemplo, a umidade relativa do ar tende a ser muito menor”, aponta o pesquisador do Agroflorestar Walter Steenbock, que também é analista ambiental do ICMbio.

Outro fato é o de que nos SAFs há a infiltração e a manutenção da água no solo, ao contrário da agricultura convencional. Isto ocorre porque as agroflorestas conciliam algumas iniciativas agrícolas adaptadas à região com o componente florestal, mantendo o solo coberto, protegido e úmido, formando microclima mais ameno e agradável, preservando o ambiente em equilíbrio, a exemplo do sistema natural. “Um dos objetivos do sistema agroflorestal é fazer com que ele funcione como uma unidade, a exemplo do sistema natural”, explica o pesquisador do Projeto Agroflorestar.

O resultado do trabalho que vem sendo realizado pela Cooperafloresta, desde 1996, pode ser aferido diretamente na vida de suas 120 famílias agricultoras e quilombolas associadas, juntamente com mais 180 famílias assentadas que também integram o Projeto Agroflorestar. Todas são beneficiadas através do aumento de renda, diversidade de alimentos à mesa, recuperação e conservação dos recursos naturais, ampliação da biodiversidade, melhoria na saúde e maior autonomia. Estes são os frutos das agroflorestas, reconciliando a agricultura com a natureza.

Sobre a Cooperafloresta – http://cooperafloresta.com

A Cooperafloresta (Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo/SP e Adrianópolis /PR) nasceu em 1996. Em 2003 foi formalizada e hoje atua diretamente com 120 famílias agricultoras e quilombolas de Adrianópolis (PR) e Barra do Turvo (SP). Também assessora 180 famílias agriculturas assentadas, distribuídas nos municípios de Morretes, Antonina, Paranaguá, Serra Negra e Lapa ( Paraná); Ribeirão Preto e Apiaí (São Paulo).

Em todas as localidades promove o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa assessorando os processos de organização, formação e capacitação das famílias agricultoras, planejamento dos sistemas agroflorestais, além do beneficiamento, agroindustrialização, certificação participativa e comercialização da produção.

Em 2013, a prática agroflorestal desenvolvida pela Cooperafloresta classificou-se em segundo lugar no Prêmio Tecnologia Social promovido pela Fundação Banco do Brasil. A premiação teve 1.011 projetos inscritos em cinco categorias distintas, e apenas 15 projetos premiados. A tecnologia social em questão foi a ‘Agrofloresta baseada na estrutura, dinâmica e biodiversidade florestal’, da categoria “Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária”.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.