Mulheres e agroecologia Notícias

Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia celebrará 10 anos nas ruas de Remígio-PB

Pelo décimo ano, as mulheres do Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizarão a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”. O evento surgiu em 2010, com dois grandes objetivos: dar visibilidade ao papel das camponesas na agricultura familiar e denunciar todas as formas de violência contra a mulher. O Polo da Borborema é uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, na Paraíba, que há mais de 20 anos atua, com a assessoria da AS-PTA, pelo fortalecimento da agricultura familiar agroecológica no território.

A marcha, que acontece tradicionalmente no 8 de março, dia internacional da mulher, no ano de 2019, acontecerá no dia 14 de março, quinta-feira, data simbólica, quando completa um ano do bárbaro assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, que até o momento permanece sem solução. Em sua 10ª edição, a marcha retorna ao município onde nasceu, Remígio-PB, distante 38 km de Campina Grande. A concentração está marcada para as 8h no Campo de Futebol “O Dedezão”, no bairro Alto da Colina. São esperadas pelo menos 5 mil mulheres agricultoras.

As mulheres da Borborema unirão o seu grito ao das milhares de vozes exigindo justiça para Marielle e para todas as vidas negras ceifadas pelo machismo, racismo e pela violência de gênero e, inclusive, pela violência de estado. Como em todos os anos, a marcha elege um tema específico para ser aprofundado nas dezenas de encontros de preparação que acontecem nos 13 municípios onde o polo atua e em praticamente todas as comunidades do município que recebe o evento. Em 2019, o tema trabalhado é o racismo e a mulher negra, bem como a afirmação da identidade racial.

Teatro e música

O evento tem início na concentração com a recepção às caravanas que trarão agricultoras dos municípios onde o Polo atua e também caravanas de outras regiões do estado e de estados vizinhos, com representantes do movimento de mulheres do campo e da cidade. Após esse momento, a peça de teatro intitulada “Como se fosse da família” vai debater a exploração de mulheres negras no trabalho doméstico, realidade vivida por muitas mulheres de origem camponesa.

O espetáculo é encenado pelo grupo de teatro amador do Polo da Borborema, no qual a personagem “Zefinha”, jovem agricultora, se vê obrigada a ir para a cidade e se inserir no trabalho doméstico para ajudar na renda de sua família. “Em 2019, quando o movimento de mulheres do Polo da Borborema torna-se mais maduro, assume pra si a necessidade de tratar e incorporar o enfrentamento do racismo como uma bandeira de luta. Em um contexto de perda de direitos, é fundamental que as mulheres possam continuar marchando conscientes de quem são e de que a luta antirracista é uma luta de todos nós”, analisa Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA e da Coordenação da Marcha.

A concentração terá como atração cultural a cirandeira Lia de Itamaracá e banda, que nos últimos três anos, vem sendo uma presença marcante nas marchas. Por volta das 10h, a caminhada sairá pelas ruas centrais da cidade, cruzando a BR-104 e com dispersão no Parque Senhor dos Passos ou Parque da Lagoa, como é mais conhecido. Na chegada da caminhada, próximo ao segundo palco, haverá a tradicional feira com exposição de experiências e venda de produtos agroecológicos e artesanato, fruto do trabalho das agricultoras da Borborema.

Para Roselita Vitor, liderança agricultora do Polo da Borborema de Remígio-PB, nesses 10 anos, a marcha fez com que as mulheres se encontrassem e refletissem sobre a sua vida e sobre a importância do seu trabalho, num cenário onde só os homens eram mostrados como aqueles que trabalhavam na roça e as agricultoras eram vistas como meras ajudantes do marido. Segundo ela, outro ganho é no enfrentamento à violência: “Ao trazer para o público, algo que sempre foi privado (a violência doméstica), a marcha empoderou muitas mulheres, que vem para a marcha e veem que o problema que elas sentem não é só delas, é de muitas, pois falamos publicamente que a violência existe e que ela não pode conviver com a agroecologia”, avalia.

Programação:

8h – Acolhida das caravanas/música

9h – Abertura oficial

9h10 – Apresentação peça teatral: “Como se fosse da família”

9h30 – Testemunhos

10h – Saída da Marcha

11h – Chegada ao Parque da Lagoa | Feira das Margaridas

11h15 – Lia de Itamaracá

12h30 – Mística de encerramento

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