
Agroecologia nos Territórios, Justiça Climática no Planeta
A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) avança com a segunda etapa da pesquisa-ação “Agroecologia, Território e Justiça Climática” em 2026. Com foco em cinco territórios, um em cada região brasileira, os estudos partem de uma questão central: qual o papel da ação em rede e da agroecologia na promoção de sistemas alimentares justos e resilientes às mudanças climáticas?
A pesquisa-ação é um processo que produz conhecimento junto com as comunidades, não apenas sobre elas. Isso significa que quem vive e constrói a agroecologia no dia a dia participa ativamente das investigações. A proposta prevê o levantamento de dados e de análises quantitativas e qualitativas. Após a primeira etapa, que promoveu em 2025 um mapeamento virtual de mais de 500 experiências agroecológicas que estão enfrentando os impactos das mudanças climáticas no país, os trabalhos na segunda etapa estão sendo feitos presencialmente.
Em parceria com organizações e redes de agroecologia, a pesquisa-ação está aprofundando o debate sobre justiça climática a partir dos seguintes territórios: Terra Indígena Cachoeirinha, no Mato Grosso do Sul; Zona da Mata de Minas Gerais; Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, no Pará; Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco; e Kilombo Monjolo, no Rio Grande do Sul.
As experiências agroecológicas envolvidas na segunda etapa da iniciativa estão fazendo seus estudos por meio do Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas, o Método Lume. Os trabalhos incluem a construção de linhas do tempo nas comunidades, contribuindo na compreensão dos processos históricos nos territórios. A metodologia inclui, ainda, sete categorias de análise: estrutura agrária, atividades econômicas agrícolas, condições ambientais, organização social e ação em rede, mercados e beneficiamento, políticas públicas e ameaças e conflitos.
Apesar do método em comum, a proposta é promover a construção de conhecimentos coletivos com respeito às especificidades de cada território. Está entre os objetivos entender como as práticas agroecológicas foram se transformando ao longo do tempo e como foram criando condições de adaptação e de mitigação frente às mudanças climáticas. Para a ANA, as alterações no clima não são só uma questão ambiental, mas também de desigualdade: seus efeitos atingem de forma mais intensa mulheres, populações negras, povos indígenas, quilombolas e populações de periferias urbanas.
Visando fortalecer a compreensão da agroecologia como um enfoque fundamental para o enfrentamento das mudanças no clima, a pesquisa-ação coloca em xeque as falsas soluções para o desequilíbrio climático, que são baseadas em interesses de mercado e em métricas de carbono. Nesse sentido, tem fortalecido a presença do movimento agroecológico em espaços de debate público e de formulação de políticas sobre o tema.
Os dados levantados na primeira etapa da pesquisa-ação dão conta de que as verdadeiras soluções para o desequilíbrio climático no planeta nascem nos territórios. Embora sejam diretamente atingidas por ondas de calor e por tempestades, dentre outros impactos, as experiências agroecológicas têm demonstrado sua capacidade de regenerar ambientes degradados, de fortalecer a soberania alimentar e de construir estratégias concretas de cuidado com a vida.
Para compartilhar com o mundo os principais resultados e análises do mapeamento, elaboramos o jornal “No Clima da Agroecologia”. A publicação foi traduzida para o espanhol e o inglês, com a intenção de ampliar sua circulação internacional durante a COP30, a Cúpula dos Povos e outros espaços globais de diálogo e ação pela justiça climática.
Espera-se que as versões nos diferentes idiomas contribuam para tecer novas alianças entre povos e movimentos ao redor do mundo que compartilham a luta por “Agroecologia nos Territórios e Justiça Climática no Planeta”.
Os dados coletados estão armazenados na Plataforma Agroecologia em Rede, onde é possível consultar todas as experiências cadastradas.
A iniciativa é coordenada pelo Grupo de Trabalho (GT) Justiça Climática e Agroecologia da ANA e conta com a parceria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, da FASE – Solidariedade e Educação, da Associação Agroecológica Tijupá, da ANA Amazônia e do Agroecologia em Rede. Conta ainda com o apoio do Agroecology Fund e do International Development Research Centre (IDRC).


