O Norte de Minas passa a contar com uma nova área oficialmente destinada à conservação ambiental e à valorização dos modos de vida tradicionais. A proposta de criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Córregos dos Vales do Norte de Minas é algo que vem sendo construído há décadas. No dia 22 de março e Dia Mundial da Água, foi oficialmente criada a RDS, consolidando uma conquista histórica das comunidades geraizeiras em defesa do território.

RDS Norte de Minas
Conquista do território é fruto da luta dos povos da região do Norte de Minas. Foto: CAA

Com cerca de 40.834 hectares, a nova unidade abrange áreas dos municípios de Riacho dos Machados e Serranópolis de Minas e tem como missão proteger importantes áreas do Cerrado, especialmente regiões de chapadas e vazantes drenadas pelos córregos Tamanduá, Poções, Manga, Pau Preto e Vacaria. São territórios profundamente ligados à presença histórica e ao trabalho e modos de vida das comunidades tradicionais, que há gerações mantêm práticas de uso sustentável da terra.

Além da preservação da vegetação nativa, a reserva assume papel estratégico na conservação de nascentes e áreas de recarga hídrica essenciais para duas importantes bacias hidrográficas: a do rio São Francisco e a do rio Jequitinhonha. Em uma região marcada pela escassez hídrica e pelos efeitos cada vez mais visíveis das mudanças climáticas, proteger essas áreas significa também garantir água, produção de alimentos e permanência das comunidades no território.

RDS Norte de Minas
Medida garante a preservação e a continuidade dos modos de vida geraizeiros. Foto: CAA

A criação da RDS ganha ainda mais relevância diante do cenário de crise climática. O Cerrado é considerado um bioma estratégico para a regulação do clima e para a manutenção do ciclo das águas no país. Para os povos, é denominado como “Cerrado Caixa d’água brasileira”. A proteção dessas áreas contribui diretamente para reduzir vulnerabilidades ambientais e sociais, sobretudo em territórios onde os impactos do calor extremo, da seca prolongada e da pressão sobre os recursos naturais já fazem parte do cotidiano.

A nova unidade também fortalece um importante corredor ecológico, conectando o  Norte de Minas ao Parque Estadual Serra Nova e se aproximando do Parque Estadual de Grão Mogol, ampliando o mosaico de conservação em uma das áreas mais estratégicas do Cerrado mineiro.

Mais do que delimitar uma área protegida, a reserva reconhece que a preservação ambiental passa pelo fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais. Ao garantir a continuidade dos modos de vida geraizeiros, a nova unidade coloca a justiça climática no centro do debate: enfrentar a crise ambiental também exige proteger quem historicamente cuida da terra, da água e da biodiversidade.