
Integrantes da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), que integram diversos movimentos sociais do campo, participam da 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR+20), realizada desde terça-feira (24) até sábado (28), em Cartagena, na Colômbia. O encontro reúne representantes de 70 países e marca os 20 anos da primeira edição da conferência, realizada em 2006, no Brasil, consolidando um espaço internacional de diálogo sobre terra, desenvolvimento rural e direitos dos povos do campo. Poderes públicos de diversos países também estão presentes, incluindo o Governo Brasileiro.
Durante o evento, integrantes da ANA têm contribuído com os debates sobre justiça climática, agroecologia, feminismo e reforma agrária, destacando o papel estratégico da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais no enfrentamento, mitigação e adaptação às crises climáticas. Outro destaque é dado à necessidade de que as mulheres sejam sujeitas centrais na propriedade e acesso à terra. A defesa da reforma agrária aparece como elemento fundamental para garantir soberania alimentar, promoção da justiça social e condições dignas de vida no campo e na cidade.
Sarah Luiza de Souza Moreira, militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), integrante do Núcleo Executivo da ANA e da coordenação do GT Mulheres da Articulação, esteve presente na mesa de abertura, representando a MMM, trazendo o debate do feminismo e da agroecologia no contexto da luta pela reforma agrária. Segundo ela, “as mulheres camponesas, indígenas, quilombolas, rurais, negras, que estão à frente na defesa dos seus territórios, das suas vidas, dos seus povos, lutam, trabalham, constroem a soberania alimentar, a conservação ambiental, a justiça climática e a agroecologia”. E denunciou: “elas estão seriamente ameaçadas, sofrendo diversas formas de violência e sendo vítimas de assassinatos cruéis, por defender a vida, por defender os povos, por defender a natureza. Mas elas seguem firmes na luta e na busca do bem viver, na busca de uma sociedade dos cuidados, uma sociedade com sustentabilidade da vida, que é o que a economia feminista nos propõe e constrói. Uma sociedade com paz, justiça, liberdade e igualdade”.
Sarah Luiza também falou sobre as experiências que as mulheres já constroem nos seus territórios. “Como resposta concreta a essa realidade tão dura, de tanta apropriação, destruição, violência, a gente está aqui para apresentar a reforma agrária integral, popular, feminista, que protege os territórios, que produz alimentos saudáveis, agroecológicos, que fortalece a soberania dos povos.”
Mas foi incisiva ao afirmar que é preciso que os governos entendam essa luta como prioridade: “não podem se limitar a planos ou programas que ficam apenas no papel, precisam se concretizar e se efetivar com ações de reconhecimento, distribuição, restituição e regulação”, afirmou.
Além de Sarah Luiza, outras/os integrantes da ANA estão participando de debates que acontecem na Conferência: Paulo Petersen, da ASPTA; Michela Calaça, da Rede Ater Nordeste de Agroecologia; Leila Santana, do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA); Neila Santos, do CETRA; Bruno Prado, da ASPTA e Maria Leonia Soares, também conhecida por Leia, do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE).
CONSTRUÇÃO COLETIVA ENTRE OS MOVIMENTOS SOCIAIS – O Fórum dos Povos e Movimentos Sociais antecedeu a programação oficial da Conferência, reunindo organizações de diversas partes do mundo para construir propostas coletivas frente aos desafios globais no meio rural. A participação ativa de Sarah e Leila neste espaço afirmou a necessidade urgente do compromisso dos governos e organismos internacionais com um modelo de desenvolvimento baseado na agroecologia, na proteção dos territórios e na construção de alternativas concretas para um futuro mais justo e sustentável.
