A iniciativa Agroecologia nos Municípios encontrou três exemplos de boas práticas agroecológicas na capital do Amapá e transformou as entrevistas em uma série de vídeos informativos. Vem conhecer quem produz sem veneno na Amazônia

Quem faz agroecologia em Macapá? A busca por responder essa pergunta mobilizou a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e a Agência Experimental em Comunicação (AGCom) da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) a produzirem uma série de três vídeos-entrevistas com os produtores agroecológicos Domingos da Silva e Waldomiro Macêdo e com o engenheiro agrônomo Paulo Nunes. Os vídeos serão lançados nos dias 18, 20 e 22 de abril, nas redes sociais da ANA e da AGCom.

As conversas trazem a riqueza de conhecimento de quem optou pela produção de alimento sem agrotóxicos e em sintonia com os ciclos naturais da terra e procuram chamar para perto quem pensa em fazer a transição. Embora a cidade de Macapá, capital do Amapá, conte com a proximidade da floresta, há poucas produtoras e produtores  com sistemas de produção 100% agroecológicos. De acordo com o mapeamento da iniciativa Agroecologia nos Municípios, os senhores Domingos e Waldomiro são dois dos poucos exemplos de produtores agroecológicos locais.

O primeiro vídeo traz a experiência do produtor agroecológico Domingos da Silva. Após dez anos em processo de transição do modelo convencional de agricultura para a agroecologia, o produtor agroecológico Domingos da Silva, Distrito da Fazendinha, sente que a saúde dele e da família deu um salto. Seu Domingos, no entanto, lamenta a falta de incentivo do governo para a entrada de outros agricultores familiares no processo de transição agroecológica. Ele defende a necessidade de incentivo à agroecologia por meio do Estado como forma de investir na saúde e na renda da população.

De acordo com entrevista dada pelo economista Joselito Abrantes ao Diário do Amapá, em julho de 2017, cerca de 85% de todo o alimento consumido no Amapá percorre longas distâncias até a mesa das pessoas, pois vem de outros estados ou mesmo do estrangeiro. Quando chega à capital, é através das prateleiras de grandes redes de supermercados, cujos produtos contém agrotóxicos. 

Já o segundo vídeo da série apresenta a propriedade e as práticas do agricultor Waldomiro Macêdo, localizada no quilômetro 9.  Waldomiro acredita ser possível suprir a demanda de alimentos no município com produção agroecológica. Há doze anos, o agricultor adotou práticas e técnicas agroecológicas e, desde então, o número de clientes só cresce, embora a estrada não ajude. “Temos muitos clientes, mas, no inverno, ninguém se atreve a vir. O ramal que dá acesso à propriedade é terrível, então fazemos delivery”, diz Waldomiro. 

Ao todo, o Sr. Waldomiro conta com sete pessoas na produção e comercialização, mas diz que a perspectiva é aumentar esse número e gerar mais renda, dando um indicativo da possibilidade de geração de trabalho na cidade através da produção de alimento saudável para as pessoas e o meio ambiente.

O Espaço Agroecológico do engenheiro agrônomo Paulo Nunes, referência no estado quando se trata de técnicas eficientes de cultivo de alimentos saudáveis, é o tema do terceiro e último vídeo da série. O pesquisador estudou a técnica de inoculação de microrganismos na adubação, que promovem a ciclagem dos nutrientes N, P e K (nitrogênio, fósforo e potássio), disponibilizando no solo os nutrientes necessários para o desenvolvimento e a força da planta contra doenças e pragas.

“Percebo que a agroecologia está crescendo em todo o Brasil, e aqui no estado não é diferente. Já temos pessoas técnicas, especializadas para atuarem e auxiliarem outros produtores a fazerem a transição agroecológica. Os produtores que apostaram na agroecologia estão ganhando dinheiro, a hortaliça sai um pouco mais cara, mas a saúde é fundamental”, ressalta Paulo.

Conhecer essa realidade dos produtores agroecológicos de Macapá foi possível devido ao apoio da iniciativa Agroecologia nos Municípios (AnM), da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). A iniciativa também buscou identificar quem está debatendo sobre produção de alimento saudável, saúde e segurança alimentar e quem produz alimentos de forma agroecológica no município, ou seja, quem está oferecendo comida saudável para Macapá.  O resultado foi preocupante. 

“Hoje esses assuntos não estão sendo debatidos pelo poder público e não foram identificados conselhos, comitês ou fóruns que estejam preocupados em promover políticas públicas para assegurar produção de alimentos saudáveis na capital, nem segurança alimentar e nutricional”, relata a antropóloga  e consultora da Agroecologia nos Municípios, Verena Almeida.

O tema da Agroecologia é abordado somente na Câmara de Comercialização de Produtos da Sociobiodiversidade (Camap), que é sensível ao tema e que deverá seguir em 2022 buscando, em parceria com a AGCom e a AnM, a aprovação da lei que institui a Política Estadual de Agroecologia, Produção Orgânica e da Sociobiodiversidade, (PEAPOS) no estado do Amapá.

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