Programa Encontro de MulheresO Centro de Tecnologias Alternativas (CTA) – sediada em Viçosa (MG) – assinou com a União Europeia um projeto um contrato de cooperação que pretende, entre outros objetivos, contribuir para a autonomia política e econômica das mulheres rurais, a partir da qualificação de seus processos organizativos.

A proposta do CTA, que atua na Zona da Mata de Minas Gerais, é que as mulheres vinculadas ao Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e ao Movimento de Mulheres da Zona da Mata e Leste de Minas tenham maior qualificação na produção agroecológica e gestão dos seus empreendimentos. Outro objetivo é a maior participação delas nos processos de gestão e no monitoramento das políticas públicas voltadas para o desenvolvimento rural. O GT Mulheres da ANA foi criado em 2004, adotando, desde então, uma dupla estratégia de ação: a autoorganização das mulheres do campo agroecológico e a intervenção delas nos espaços de diálogo com o governo e de formulação de políticas públicas.

Ao longo de três anos será desenvolvido um conjunto de ações relacionadas a programas com foco na formação em Gestão de Empreendimentos Econômicos e em Feminismo e Agroecologia. O trabalho, que também prevê oficinas de multiplicação, intercâmbios e sistematização de experiências envolverá cerca de três mil mulheres das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. A coordenação geral caberá a uma equipe do CTA, que terá como parceiros a Rede de Mulheres Rurais Empreendedoras da Amazônia, a Rede de Produtoras Rurais do Nordeste, o Movimento de Mulheres Camponesas e o Grupo de Trabalho de Gênero e Agroecologia.

As primeiras atividades do projeto começam este mês, em Viçosa, com o encontro do Movimento de Mulheres da Zona da Mata – “Mulheres Organizadas, Lutas Fortalecidas” -, nos dias 13, 14 e 15. Para abril, também na região, está prevista a realização do primeiro dos três módulos do Programa de Formação Mulheres e Agroecologia (PFMA). Esse programa, bem como o de Formação em Gestão de Empreendimentos de Mulheres (PFG), servirá como piloto para as capacitações que serão promovidas nas outras regiões do país a partir de 2014.

Vale ressaltar que a Zona da Mata mineira, principal área de atuação do CTA, se destaca pelo alto nível de participação das mulheres nas diretorias de organizações da agricultura familiar: são 84 em cargos de direção nos sindicatos, associações e cooperativas de 12 municípios.

Para a coordenadora geral do projeto, a engenheira agrônoma Elisabeth Maria Cardoso – que também coordena o GT Mulheres da ANA -, a parceria com a União Europeia representa o reconhecimento da relevância e qualidade do trabalho do CTA junto às mulheres agricultoras e camponesas e da metodologia criada – e já praticada – pela equipe do projeto Mulheres e Agroecologia da organização. Significa também a possibilidade de se articular, trocar e sistematizar as experiências das mulheres do campo com aporte de recursos financeiros que garantam a continuidade das ações. Sem falar da realização das reuniões do GT Mulheres da ANA, fundamentais para a auto-organização das mulheres no movimento agroecológico, e da realização de seminários nacionais temáticos, que garantirão a formação técnica e política dos grupos produtivos de mulheres.

Programas

O projeto Fortalecimento da autonomia econômica de mulheres rurais no Brasil é pioneiro no país quando se leva em conta a sua abrangência e a inter-relação dos temas mulher e agroecologia. Ele envolve o Programa de Formação em Gestão de Empreendimentos Econômicos das Mulheres Rurais (PFG) e o Programa de Formação Mulheres e Agroecologia (PFMA).

O primeiro tem o objetivo de apoiar a estruturação dos empreendimentos agroecológicos protagonizados pelas mulheres rurais, a partir de uma metodologia que considera os diferentes estágios organizacionais de cada grupo e sua realidade local. Já o segundo pretende o reconhecimento do trabalho e a valorização das inovações nos sistemas de produção que a mulheres rurais têm realizado a partir das experiências agroecológicas.

Segundo Elisabeth, “é a partir da reflexão crítica e do diálogo sobre as experiências e o acesso às políticas públicas que as mulheres atuarão como multiplicadoras, para disseminar as experiências agroecológicas e facilitar os processos de transição agroecológica em nível local, regional e nacional”.

Para mais informações sobre o CTA, acesse www.ctazm.org.br.

Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas com Dora ou Elisabeth, pelo telefone (31) 3892-2000.

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