Priscila Souza – Comunicadora popular da ASA
Januária | MG
30/04/2012

Agricultores trocaram conhecimentos sobre agroecologia e outras experiências de convivência com o Semiárido

O Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido mineiro ocorreu nos dias 18 e 19 de abril, na unidade de experimentação do Centro de Agricultura Alternativa (CAA), em Montes Claros (MG), e contou com a participação de cerca de 30 pessoas das regiões do Vale do Jequitinhonha e Norte do estado.

O evento contou com relatos sobre as diversas formas com que a agroecologia vem se desenvolvendo, uma agricultura sustentável que vem enfrentando e resistindo ao projeto de monoculturas e de mineração que está secando, poluindo e destruindo as fontes vitais como a água e a terra.

Os relatos de experiências dos agricultores relevaram que a forma com que eles aprenderam a viver e produzir alimentos sem veneno garante-os uma capacidade de produção de alimentos saudáveis e em grande quantidade, em equilíbrio com a natureza. Esta forma de viver só é possível graças às experiências acumuladas e as resistências dos agricultores e agricultores familiares.

Inspirada pelo encontro, a agricultora e diretoria do CAA Elizangela, conhecida como Ló, relata que “plantar como a gente planta produz muito bem! Somos agricultores diferentes, que lutam pelo diferente e que fazem a diferença, pois quem luta pela água, luta pela vida”.

No primeiro dia (18) os participantes apontaram que no Semiárido mineiro os principais inimigos para os agricultores são o monocultivo do eucalipto e as mineradoras. Como contraponto, à tarde, o grupo presente foi conduzido por Onório, também conhecido como Baiano, a conhecer as experimentações do CAA, baseadas na valorização do Cerrado como fonte de alimento e saúde para o agricultor e suas criações. Os participantes conheceram técnicas de manejo como criação de porco caipira em áreas de pastagem e alimentação natural; sistema de raleamento para área de pastagem e lenha sem degradar a flora e fauna; aléias, que são os pastos em curva de nível e que formam bacias de contenção de água da chuva; horticulturas e Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS).

A homeopatia foi alvo de grande interesse dos agricultores e agricultoras, pois para quem não usa transgênicos, agrotóxicos ou nenhum outro tipo de veneno o controle de pragas e doenças é o principal desafio para a produção e produtividade da lavoura. Com a homeopatia se consegue o controle e ao mesmo tempo se fortalece a vida das plantas, do solo e dos animais que se alimentam da roça.

Outra experiência visitada foi a Casa de Sementes Regional (AEFA) onde se armazenam sementes crioulas para garantir a preservação de todo patrimônio genético, gerando também autonomia para os agricultores frente ao mercado de sementes híbridas, que não possuem fertilidade.

Também foi conhecida a experiência da Cooperativa Grande Sertão, que surgiu da necessidade de um grupo extrativista de acessar o mercado. Hoje, a entidade produz produtos como polpa de fruta e conservas de pequi, conseguindo vender mais de 100 toneladas de produtos agroecológicos.

No último dia pela manhã (19) os agricultores relataram as experiências desenvolvidas em suas comunidades, baseadas no conhecimento popular. Teresinha, de Veredinha, no Vale do Jequitinhonha, conta que com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) o sonho de todo o agricultor pode ser realizado, que é o de produzir e ver os alimentos serem consumidos, gerando assim renda para a família.

Barragem subterrânea, casa da semente crioula, rotação de cultura, adubagem verde, cultivo em curva de nível, organização da associação e criação de porcos foram algumas das experiências apresentadas pelos participantes.

(*) Matéria publicada originalmente na página da ASA Brasil

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